Confiança, oportunidade e a força de quem nos incentiva
Este artigo é um convite à reflexão sobre o poder de quem acredita em nós e o impacto de quem escolhe nos apoiar. Ou… nos desmotivar.
A coragem dos recomeços
Recomeçar nunca é simples. Atravessar uma nova fase, assumir riscos, mudar de direção ou simplesmente sair do lugar exige uma dose generosa de coragem. Os desafios não são apenas externos. Muitas vezes, o maior obstáculo é o medo que carregamos dentro de nós e é nesse cenário que o apoio se torna essencial.
Medos e desafios: o que nos freia
Todo novo começo desperta incertezas:
“Será que vou conseguir?”
“E se eu fracassar?”
“Será que sou mesmo bom o suficiente?”
Essas perguntas são comuns, naturais e humanas. Mas, quando alimentadas por dúvidas externas, por olhares que desconfiam de nossas intenções, capacidades ou talentos, elas crescem e nos paralisam. Os desafios existem, mas quando somamos a eles a desconfiança de quem nos cerca, o fardo se torna mais pesado.
Apoio genuíno x crítica desmotivadora
Quando temos pessoas que nos apoiam, tudo muda. Um elogio sincero, uma escuta atenta, um gesto de confiança esses detalhes transformam o medo em ação, a dúvida em impulso. Nos sentimos mais leves, felizes, confiantes.
Por outro lado, quando somos cercados por quem critica, minimiza, duvida ou desqualifica, nossa energia vai sendo drenada. A vontade enfraquece, a motivação escapa. É como tentar acender uma fogueira embaixo de chuva.
A visão da psicanálise sobre a confiança
A confiança é mais do que um sentimento: é uma estrutura interna.
A psicanalista Melanie Klein descreve que, para confiar de forma madura, é preciso aceitar o “não-confiar” pontual baseado na experiência.
Segundo Klein (1975), a confiança madura compreende a capacidade de não confiar quando necessário, desde que essa postura esteja fundamentada na experiência emocional elaborada e não se converta em uma desconfiança paranoica em relação ao outro, nem em uma desconfiança depressiva dirigida a si mesmo.
Essa reflexão mostra que confiar em si e nos outros é um exercício contínuo de percepção, equilíbrio e autoestima. A crítica destrutiva mina esse processo. O apoio o fortalece.
Escolher ser apoio: o meu compromisso
Quero ser e me esforço diariamente para ser alguém que apoia.
Escolho celebrar as vitórias alheias, encorajar os recomeços e me manter presente nos momentos em que o outro precisa apenas de uma palavra boa ou de um “vai dar certo”.
Sou eternamente grata aos que estiveram do meu lado nos momentos difíceis.
Pessoas que não me ofereceram assistencialismo, mas ofereceram confiança e oportunidades – e isso, para mim, vale mais do que qualquer ajuda material.
Sem confiança, nada se constrói
A confiança é a base de qualquer relação saudável: profissional, pessoal, criativa. Quando alguém desacredita do seu talento ou da sua vontade, o melhor que se pode fazer é se afastar. Não por vingança, mas por preservação. E seguir com força e determinação, mesmo com medo, porque é no caminhar que a coragem se revela.
Cultive a coragem, valorize o apoio
Recomeçar é humano. Ser apoio é uma escolha. E ser grato é uma virtude poderosa. Sejamos aqueles que incentivam, que acreditam, que confiam.
Porque, no fim, o que realmente nos move não são as certezas, mas as pessoas que nos ajudam a caminhar mesmo na dúvida.
Quais foram as pessoas que te incentivaram ao longo de sua vida e carreira?
Como você escolhe ser uma fonte de apoio para os outros?
Um abraço carinhoso,
Alini Rocha
17/09/2025
Referência
Klein, M. (1975). Amor, culpa e reparação e outros trabalhos (1921–1945) (D. Cantor, Trad.). Rio de Janeiro: Imago.
(Obra original publicada em 1935)